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Comissão de Ensino e Residência Médica Proposta de Programa04/02/2014

Introdução

A presente regulamentação tem por objetivo definir e padronizar a estrutura e os procedimentos considerados pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) como necessários para propiciar a um médico, já devidamente qualificado como cirurgião geral, as habilidades cognitivas e psicomotoras mínimas para o exercício da especialidade de Coloproctologia em toda sua extensão, incluindo aquelas de alta complexidade nas áreas cirúrgicas e endoscópicas.

1) Objetivo Geral

O programa de residência médica em coloproctologia deve habilitar o médico especialista nas seguintes áreas:

  • Atendimento ambulatorial de pacientes
  • Atendimento de pacientes internados
  • Realização de procedimentos diagnósticos relacionados à especialidade
  • Cirurgias ambulatoriais
  • Cirurgias de pequeno, médio e grande porte da especialidade
  • Urgência coloproctológica

2) Objetivos Específicos

1º Ano

Ao final do primeiro ano de residência o médico deverá ter alcançado os seguintes objetivos, estando apto a:

2.1) Atendimento a Pacientes


  • Atendimento rotineiro a pacientes portadores de afecções coloproctológicas a nível ambulatorial e de internação. Recomenda-se o número mínimo de cem consultas mensais.

2.2) Procedimentos Diagnósticos

Realizar procedimentos diagnósticos relacionados à especialidade. São eles:


  • Anuscopia
  • Retossigmoidoscopia rígida

  • Retossigmoidoscopia flexível
  • Colonoscopia. Sugere-se o mínimo de 20 colonoscopias realizadas ao final do primeiro ano

2.3) Procedimentos Terapêuticos (pequeno porte)


Incluem-se sob esta denominação os procedimentos terapêuticos realizados em conjunto com a atividade de consultas clínicas ou em bloco cirúrgico, realizados com anestesia local ou geral. São eles:


  • Cauterizações químicas ou cirúrgicas de pequenas lesões como condilomas anais ou distúrbios de cicatrização
  • Ligaduras elásticas, fotocoagulação ou esclerose de hemorroidas
  • Drenagens de processos inflamatórios restritos e não complicados
  • Exérese de pequenos plicomas anais
  • Injeções de agentes miorrelaxantes como toxina botulínica

  • Dilatações anais moderadas
  • Retiradas de fecalomas e corpos estranhos e corpos estranhos de baixa complexidade

2.4) Procedimentos Terapêuticos (porte médio)


Incluem-se sob esta denominação os procedimentos cirúrgicos de complexidade superior aos acima citados, requerendo, em sua maioria, a participação de anestesiologistas através da realização de bloqueios anestésicos ou anestesias gerais. São eles:

  • Doença hemorroidária
  • Fístulas anais e abcessos complexos
  • Fissura anal
  • Doença pilonidal
  • Estenoses anais
  • Prolapsos mucosos
  • Plicomas de grande porte
  • Incontinências fecais de baixa complexidade
  • Reparo de lesões traumáticas perineais de baixa complexidade

Ao final do primeiro ano, o médico residente deverá ter participado de forma regular deste grupo de procedimentos, possibilitando o desenvolvimento de suas habilidades. Sugere-se o mínimo de dez cirurgias deste grupo, ao final do primeiro ano, realizadas de forma autônoma, embora sob supervisão.

2º Ano


Ao final do segundo ano de residência o médico deverá ter alcançado os seguintes objetivos, estando apto a:

2.5) Atendimento a Pacientes

Atendimento rotineiro a pacientes portadores de afecções coloproctológicas a nível ambulatorial e de internação. Recomenda-se o número mínimo de cem consultas mensais.

2.6) Procedimentos Diagnósticos


Realizar procedimentos diagnósticos relacionados à especialidade. São eles:

  • Anuscopia
  • Retossigmoidoscopia rígida
  • Retossigmoidoscopia flexível
  • Colonoscopia. Sugere-se o mínimo de 20 colonoscopias realizadas durante o segundo ano.

2.7) Procedimentos Terapêuticos

Além dos procedimentos de pequeno e médio porte, caberá ao médico residente do segundo ano a participação em procedimentos de grande porte. Incluem-se sob esta denominação os procedimentos cirúrgicos de maior complexidade na especialidade, requerendo, em sua totalidade, a participação de anestesiologistas através da realização de bloqueios anestésicos ou anestesias gerais. São eles:


  • Laparotomias de qualquer natureza para tratamento de afecções proctológicas
  • Fechamentos de ostomas intestinais
  • Ressecções intestinais extracorpóreas como prolapso de estomas ou prolapsos retais por via perineal
  • Acessos posteriores à pelve
  • Procedimentos perineais e anorretais de maior complexidade incluindo ressecções tumorais, reparos esfincterianos e de lesões traumáticas

Caberá ao formando participar deste grupo de procedimentos de forma regular, na própria instituição, de forma a desenvolver suas habilidades e apresentar, ao final da sua formação, um relatório contendo 10 (dez) operações realizadas de forma autônoma, embora sob supervisão.

2.7.1) Videocirurgias Colorretais

Define-se com esta denominação os procedimentos cirúrgicos abdominais realizados para o tratamento de afecções coloproctológicas, utilizando para tal o acesso videolaparoscópico através das seguintes modalidades:


  • Acesso videolaparoscópico exclusivo: nos casos em que todo o procedimento é realizado através dos portais laparoscópicos, excetuando-se a retirada de espécimes.
  • Acesso videolaparoscópico em assistência: nos casos em que o procedimento abdominal é realizado pelos portais laparoscópicos, possibilitando uma abordagem laparotômica exclusivamente pélvica, através de incisão transversa baixa.

Caberá ao médico residente do segundo ano participar de um número mínimo de 15 videocirurgias colorretais, na própria instituição ou em instituição conveniada. Deverá, também participar de um curso de Cirurgia Videolaparoscópica com duração mínima de 15 (quinze) horas.

2.8) Atividades Recomendadas

Embora não considerados como pré-requisitos para a existência do programa de formação, recomenda-se que seus participantes tenham acesso, em instalações próprias ou conveniadas, ao aprendizado de outros procedimentos diagnósticos e terapêuticos. São eles:


  • Manometria anorretal
  • Defecografia
  • Endossonografia anorretal

3) Conteúdo Programático e Funcionamento do Serviço

3.1) Atendimento a Pacientes

O funcionamento de Serviços de Coloproctologia responsáveis por programas de formação deverá incluir uma rotina de atendimento a pacientes portadores de afecções coloproctológicas a nível de internação e ambulatório. Tais atividades deverão ocorrer sempre com a participação diária e efetiva dos membros especialistas do serviço. É vedada ao cirurgião, em período de formação, a realização de atendimentos a pacientes sem a devida supervisão.

3.2) Estrutura de Ensino

Além da supervisão prática aos cirurgiões em formação em suas atividades clínicas e cirúrgicas, deverá o programa incluir necessariamente atividades teóricas realizadas com periodicidade regular. Estas atividades teóricas podem ser por meio de aulas, reuniões científicas, seminários, reuniões com outras especialidades, discussão de casos ou qualquer outro encontro que contemple em seu conteúdo temas relacionados aos diferentes aspectos da especialidade.

3.3) Atividades de Pesquisa

Além das atividades práticas e teóricas, os programas deverão conter atividades relacionadas à pesquisa, com o duplo objetivo de fornecer aos formandos os conhecimentos e interesses necessários para esta, assim como contribuir para a organização e produtividade científica dos serviços. Para tal, sugere-se a definição de linhas de pesquisa e o estabelecimento de metas de produtividade, a qual não deverá ser inferior a um mínimo de três publicações por triênio em periódicos relevantes de circulação nacional e internacional.

4) Locais de Treinamento, Estrutura Médico-Hospitalar

É necessário que os programas de formação de especialistas em coloproctologia sejam realizados em uma estrutura hospitalar dotada dos recursos necessários para a realização de operações de grande porte incluindo:

  • Unidade de internação hospitalar com um mínimo de 50 leitos
  • Centro cirúrgico com um número mínimo de quatro salas de operações
  • Unidade de terapia intensiva com um número mínimo de quatro leitos e dotada dos requisitos mínimos segundo a Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva
  • Serviço de radiologia dispondo dos equipamentos necessários à realização de, no mínimo, os seguintes exames:
    • a. Radiologia convencional
    • b. Ultrassonografia
    • c. Tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética. (Os itens a e b deverão estar disponíveis dentro da própria instituição hospitalar responsável pelo programa, enquanto o item c poderá pertencer a instituição conveniada com fácil acesso)
  • Serviço de endoscopia digestiva, incluindo equipamentos para endoscopia digestiva alta e colonoscopia dentro da própria instituição hospitalar ou em instituição conveniada com fácil acesso
  • Serviço de anatomia patológica dentro da própria instituição hospitalar ou em instituição conveniada de fácil acesso
  • Demais serviços hospitalares de apoio necessários para a realização de operações de grande porte como nutrição, fisioterapia, comissão de infecção hospitalar e enfermagem dentro dos princípios mínimos de qualidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde



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