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Guia Prático de Terapia Biológica nas Doenças Inflamatórias Intestinais

Paulo Gustavo Kotze, Andrea Vieira

Palavras chave: Gastroenterologia, Intestinos
Edição: 1
Ano: 2010
Páginas: 125
Editora: Wolters Kluwer Pharma Solutions/Lippincott Williams & Wilkins
ISBN: 978-85-61901-01-1

Prefácio por Dra. Magaly Gemio Teixeira
Livre Docente da Disciplina de Cirurgia do Cólon, Reto e Ânus do Hospital das Clínicas – Fmusp
Chefe do Ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais do Departamento de Cirurgia – Hc – Fmusp

As doenças inflamatórias intestinais, especificamente a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, a princípio restritas ao norte da Europa e aos Estados Unidos, têm apresentado incidência em ascensão em praticamente todo o mundo. Trata-se de uma das manifestações mais graves de doença gastrointestinal. Suas manifestações intestinais e extraintestinais são responsáveis por alta morbidade. Por acometer principalmente jovens na fase mais produtiva de suas vidas são responsáveis por interferência significativa na vida do paciente, prejudicando sua formação profissional, dificultando a obtenção de emprego ou motivando sua perda, impedindo vida social, familiar e sexual. Associa-se ainda a necessidade de internações hospitalares frequentes e de tratamentos cirúrgicos de repetição. Casos graves associam-se a mortalidade importante principalmente no grupo etário mais avançado.

Não se sabe ainda quais as causas desse aumento de incidência; elas podem estar relacionadas à sua etiologia, que também permanece desconhecida. A valorização da qualidade de vida, levando os pacientes a buscarem tratamento assim que se manifeste algum sintoma, aliada ao grande avanço da medicina também colaboram para o diagnóstico mais frequente e a maior notificação dos casos. A evolução dos métodos de diagnóstico por endoscopia e radiologia permite grande acurácia diagnóstica, com pouco ou nenhum desconforto para o paciente e baixa morbidade.

Os avanços no que tange ao tratamento não ficaram atrás. E esses avanços têm sido tão rápidos que mesmo médicos recém-formados já se sentem desatualizados no início do exercício da profissão. Terapias novas motivam uma certa insegurança por parte dos médicos. Há necessidade de se familiarizar com suas indicações, contraindicações, modo de aplicação e possíveis reações imediatas e tardias. Quando uma droga é colocada no mercado, muitas vezes surgem situações Guia Prático de Terapia Biológica nas Doenças Inflamatórias Intestinais 8 não previstas nos estudos. Há dúvida do que irá acontecer com o uso prolongado ou em associação com outros medicamentos.

A primeira droga biológica a ser liberada foi o Infliximabe. Os primeiros estudos fixaram-se na dose ideal e nos intervalos de aplicação. Havia a sugestão de que deveria ser aplicada associada a imunossupressor por se tratar de droga quimérica. A terapia biológica foi apresentada como medicamento a ser utilizado em casos graves como a última tentativa no sentido de se postergar ou evitar a cirurgia. Passou-se a seguir o tratamento por intervalos de dois meses por tempo indefinido. Verificou-se que a dose poderia ser aumentada e o intervalo diminuído em casos mais graves sem aumento de efeitos colaterais.

Face aos bons resultados verificados nessas situações críticas, a lógica sugeria que a terapia biológica fosse empregada antes de que se instalassem complicações graves. E assim, surgiu a ideia de se inverter a prescrição dos tratamentos para doença inflamatória intestinal começando-se por esses medicamentos, terapia conhecida como top-down. Verificou-se ao longo do tempo não haver necessidade como a princípio se julgou, de associação com imunossupressores.

Também se ponderou sobre a possibilidade de o doente apresentar risco aumentado para linfomas, o que até hoje não está comprovado. Mas essa possibilidade foi descrita nas bulas do medicamento, o que gera preocupação nos pacientes e médicos.

Outro anti-TNF foi introduzido na prática clínica, o Adalimumabe administrado por via subcutânea pelo próprio doente. E outros medicamentos entrarão em breve no mercado.

Todos esses eventos relatados de maneira sumária ocorreram em uma década. O paradoxo deste século é que nunca na história da humanidade o conhecimento em qualquer área esteve tão acessível a tantas pessoas, mas, por outro lado, o volume de informação é tão gigantesco que não conseguimos acompanhá-lo.

Assim, este manual apresentado pelos Drs. Paulo Kotze e Andrea Vieira vem fornecer de forma rápida e objetiva as informações para que os médicos que não são especialistas em doença inflamatória intestinal, mas a tratam de maneira eventual, possam estar atualizados e aptos a responder aos questionamentos de seus pacientes. Este manual traz as informações necessárias para como prescrever, quando indicar ou contraindicar, efeitos colaterais e mesmo as dúvidas que os especialistas ainda têm, como, por exemplo, por quanto tempo?

Parabenizamos os autores pela iniciativa de atualizar esse tema de grande importância atual de forma sucinta e clara.

PARTE I. CÂNCER COLO-RETAL E PAF

1. Etiologia e fatores de risco para câncer colo-retal.
Fábio Guilherme Campos

2. Bases da biologia molecular aplicada ao câncer colo-retal.
Mauro de Souza Leite Pinho

3. Principais síndromes genéticas associadas ao câncer colo-retal hereditário.
Rodrigo Oliva Perez e Fábio Guilherme Campos

4. História, epidemiologia e importância da Polipose Adenomatosa Familiar
Fábio Guilherme Campos e Antônio Rocco Imperiale
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5. Papel dos Registros de Polipose e Câncer Colorretal Hereditário.
James Church
Tradução: Marcos Bonardi e Fábio Guilherme Campos

PARTE II. ASPECTOS GENÉTICOS DA PAF

1. As complexas correlações genótipo-fenótipo na PAF clássica
Benedito Mauro Rossi e Fábio de Oliveira Ferreira

2. Aspectos práticos e éticos dos testes e do aconselhamento genético.
Maria Isabel Waddington Achatz e Patrícia Ashton-Prolla

3. Como fazer o rastreamento familiar ?
Fábio de Oliveira Ferreira e Benedito Mauro Rossi

4. Nomenclatura usada em síndromes genéticas
Fábio Guilherme Campos